A saúde de Curitiba está adoecida

Jornal do Ônibus 

Esta semana, a secretária de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, em uma entrevista a uma rádio, disse que a UPA CIC, funcionando há apenas 10 meses em Curitiba, é modelo de gestão e economia para o município. O que eu tenho me perguntado, junto aos médicos do Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná, é: 10 meses analisando este modelo e sem resultados concretos em relatórios, é tempo suficiente para decidir terceirizar a saúde em todas as Unidades de Pronto Atendimento da cidade?

Além disso, economizar em Saúde (bem como em Educação) não é algo que uma gestão séria faria. Como médica, gostaria de alertar que a saúde vai mal em Curitiba. Ao invés de economia, a Prefeitura deveria fazer investimentos, inovações, buscar soluções onde ninguém seja prejudicado – nem a população, que tanto necessita da saúde pública, tampouco os profissionais da saúde, que precisam trabalhar.

Vale lembrar também que, se o Sindicato dos Médicos decretou greve, a culpa é desta gestão municipal que não consegue responder a algumas perguntas: onde está o plano de transitoriedade dos servidores municipais concursados? Para onde eles irão? Serão demitidos?

Vocês insistem em dizer há dias, que estes funcionários – que também são enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas – serão realocados para outros lugares. O que “esquecem” de nos dizer é que lugares são esses? Quanto isso custará ao município? Qual o tempo de transição para realocar funcionários?

Uma das frases da Secretária Márcia que me chama atenção nesta entrevista, onde ela insiste em dizer que o atendimento na Cidade Industrial tem qualidade, é: “Se a UPA CIC não atingir as metas de tempo de espera, nós damos desconto”. Bom, fazer piada em torno do assunto e oferecer “desconto” num serviço público é de mau gosto. Mesmo porque, se a Prefeitura resolver remunerar e indenizar cada cidadão que espera de 6 às 8h por atendimento na UPA CIC, vocês irão acabar de vez com os cofres públicos municipais.

 

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