Política de prevenção e combate ao câncer de ovário é aprovada em primeira votação na Câmara de Vereadores

Proposto por nosso mandato, o projeto fomenta o diagnóstico precoce do câncer ginecológico com maior grau de letalidade para mulheres.

Mais da metade da população de Curitiba é composta por mulheres, mas poucas conhecem ou têm a chance de receber, de maneira precoce, assistência médica, psicológica e social quando o assunto é Câncer de Ovário.

Apesar de menos frequente do que outras doenças oncológicas, o Câncer de Ovário é considerado o de maior letalidade e teve registrados, em 2020, 6.650 casos no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA. As mortes ocorrem porque ele é difícil de ser diagnosticado em fases iniciais: ¾ dos casos costumam ser descobertos nos estágios avançados da doença, o que diminui drasticamente sua chance de cura.

“É uma doença grave, que mata mais de 50% das pacientes e que precisa ser diagnosticada em fase precoce.”, explica José Clemente Linhares, chefe do serviço de Ginecologia e Mama do Hospital Erasto Gaertner.

Projeto de lei

O projeto de lei que institui a Política de Prevenção e Combate ao Câncer de Ovário, começou a ser votado dia 08 de fevereiro de 2021, no plenário da Câmara Municipal de Curitiba. O PL pretende ampliar o acesso à informação e ao diagnóstico precoce do segundo tipo de câncer ginecológico que mais acomete mulheres.

A autoria é da vereadora Maria Leticia, PV/PR, médica ginecologista e legista de carreira do Instituto Médico Legal (IML), com longo histórico de atendimento aos direitos da mulher e combate à violência. O PL prevê campanhas informativas sobre a doença nas unidades de saúde do Município, com divulgações sobre sintomas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento da doença. Além disso, visa estimular a realização de exames especializados na rede pública de saúde.

Debates com organizações não-governamentais e sociedade civil também são previstos no projeto, bem como a capacitação de profissionais da rede pública de saúde, com cursos, seminários, palestras e informativos.

Câncer de Ovário

A alta taxa de letalidade desse câncer está relacionada à presença de sintomas pouco específicos nas fases iniciais da doença. Geralmente, as pacientes descobrem em outras especialidades médicas, relatando dores abdominais e, até que seja diagnosticada, a doença pode estar em fase avançada.

“Tão importante quanto falar nas campanhas sobre o Câncer de Mama e Câncer de Colo do Útero como medidas de prevenção, é ressaltar o de Ovário. Diferentemente de exames típicos de rotina, como a mamografia e o exame preventivo, nesses casos não há exame de sangue ou imagem que permitam o rastreio.”, conta a oncologista Ana Paula Derghan. Exames preventivos específicos devem ser realizados por mulheres acima de 50 anos e para quem se enquadra nos fatores de risco: mulheres sem filhos ou que nunca amamentaram; excesso de peso; primeira menstruação precoce ou menopausa tardia (após os 52 anos) e histórico na família.

Vale reforçar que o preventivo Papanicolau não atesta a presença do Câncer de Ovário, cujo diagnóstico envolve análises específicas em exame de sangue, exames clínicos, de palpação e de imagem.

A ausência de sintomas nas fases iniciais e a necessidade de uma investigação médica mais detalhada impactam na falta de conhecimento sobre a doença e sublinham, por isso mesmo, a relevância de projetos como a proposição nº 005.00107.2020.

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