Política pão e circo não funciona na saúde!

Hoje é domingo e as ruas estão vazias. Não tem pastel na feira, passeio com o cachorro nas calçadas e Curitiba está digna de um filme de fim dos tempos. Restam as pessoas em situação de rua, que a FAS insiste em tratar com políticas higienistas.

Como médica, fico triste em ver uma pandemia tomando conta da cidade e do mundo. Como vereadora, as mentiras contadas pela prefeitura, de que a cidade está no caminho certo para combater o Covid19, me preocupam.

Por isso, além de já estar fazendo meu papel de fiscalizar o executivo municipal, eu decidi vir às minhas redes para dividir algumas das denúncias que eu tenho recebido dos colegas profissionais da saúde e das pessoas que precisam do serviço público.

Primeiro, a pandemia já acontecia em outros lugares do mundo e do Brasil. Qualquer equipe técnica de saúde sabia que era questão de tempo até a doença chegar ao Paraná. Então por que não houve antecipação nas medidas que poderiam conter a doença? Por que não foram comprados luvas, máscaras e álcool em gel com antecedência? Por que profissionais da saúde não foram contratados antes do Covid19 chegar a Curitiba?

Enquanto a doença tomava conta de outros países, o prefeito Rafael Greca preferiu terceirizar boa parte das Unidades de Pronto Atendimento. Quem lucrou com a terceirização da saúde? A população, certamente não foi.

As empresas que passaram a gerir as UPAS, contratam funcionários sem concurso público e com direitos trabalhistas reduzidos. Que médico quer trabalhar sem ter seus direitos respeitados? Que médico trabalha no serviço público sem concurso? Sem contar as denúncias de que não existem médicos especializados nestes locais. Quantas foram as mães que denunciaram falta de pediatras para seus filhos nos últimos tempos?

Na semana passada, o prefeito publicou um vídeo em suas redes sociais, onde a secretária de saúde Márcia Huçulak sorri ao seu lado, dizendo que as pessoas não devem ir até as UPAs e que esperem para serem atendidas em casa.

Pelo que fiquei sabendo, eles só esqueceram-se de avisar a equipe destas unidades, que quando recebem ligações, não sabem o que fazer, já que não há médicos suficientes para irem até as residências e para fazerem atendimento individualizado.

Hoje, olhando as redes do prefeito, vi que ele criou a hashtag “#nãovamosperderninguém” e que se vangloria por estar desmontando o carrossel do Passeio Público para conter aglomerações. Bom, do jeito que as coisas andam, fica difícil acreditar que não iremos perder ninguém. Já são quase 30 infectados e um colega médico, que atende na UPA Boqueirão, está na UTI por causa do vírus. Não será o desmonte de um carrossel que irá salvar a sua vida.

Isto sem contar a URBS, que decidiu reduzir uma frota que já coloca seus usuários em uma situação nada confortável de ônibus lotados. Mais uma medida imprudente, que Greca disse que não estava sabendo e que determinou “apuração de responsabilidades”. Bom, você comanda uma equipe e não sabe o que eles fazem? Que espécie de líder você é?

Na educação, enquanto as Universidades fechavam suas portas, a prefeitura insistiu em deixar por mais uma semana os estudantes da rede municipal em aula, colocando em risco suas vidas e de seus pais e professores. É assim que ele trata os “curitibinhas”?

Sobre quem mais precisa e está em situação de vulnerabilidade, as pessoas em situação de rua: a prefeitura diz que tem políticas públicas especiais, mas que políticas são estas? Fiz um pedido de informação oficial na semana passada, ainda sem resposta.

Enquanto isto, em rede estadual, no jornal de maior audiência do Estado, o prefeito chorou ao vivo.

Senhor prefeito, mais responsabilidade: espero que você não precise ligar no número de telefone que tem aconselhado a população a ligar.

Você cidadão, tem dúvidas? Tente falar no 3350 9000 e verá que ele é tão funcional quanto as políticas de saúde da Prefeitura de Curitiba: está sempre ocupado.

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