Recicladores ambientais marcham em Curitiba contra a incineração do lixo

Aproximadamente 200 recicladores ambientais participaram, na manhã de sexta-feira (7), da Marcha do Dia Nacional de Luta dos Catadores de Materiais Recicláveis no Calçadão da Rua XV em Curitiba.

A pauta tratou da incineração do lixo, desperdício de recursos e danos que a destinação errada provoca ao meio ambiente.

A vereadora Maria Letícia Fagundes, do Partido Verde, lembrou ainda dos impactos negativos que este tipo de prática traz para a renda dos recicladores.

“Curitiba é uma das cidades que mais recicla no país. Com a queima de resíduos, muitos catadores deixariam de ter o dinheiro necessário para o sustento de suas famílias”, afirmou a vereadora.

Além do fator econômico, a incineração é tema polêmico, pois a queima do lixo libera gases e substâncias tóxicas que podem agravar a poluição atmosférica.

A recicladora e presidente do Instituto Lixo e Cidadania (ILIX), Maria José de Oliveira Santos, conhecida como Lia, argumenta que a incineração pode provocar o desestímulo de grandes empresas a investir na logística reversa.

“Queimar materiais não é a solução. Tínhamos que ter políticas reversas e educacionais de separação, reutilização e reciclagem do lixo”, afirma.

Contra a incineração
A polêmica envolvendo a questão ganhou destaque após o prefeito Rafael Greca (DEM) propor incinerar o lixo produzido em Curitiba.

Um protesto foi realizado em maio, quando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve na capital e Greca o levou à fábrica da Votorantim Cimentos, em Rio Branco do Sul, na região metropolitana.

A intenção do prefeito era mostrar os testes do chamado “coprocessamento” nos fornos para produção de cimento. Segundo o prefeito, a alternativa proposta é queimar apenas resíduos inservíveis.

Contexto
Aproximadamente 1,2 mil famílias atuam com reciclagem na capital paranaense, segundo estimativa dos trabalhadores. Ao todo, são 40 cooperativas registradas espalhadas pela cidade.

Contrárias a incineração, elas reclamam que a técnica desrespeita a ordem de prioridades prevista no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que passa primeiro por não geração de lixo, depois por redução da produção, seguindo com reutilização e reciclagem e, só depois, com o tratamento dos resíduos sólidos.

Os trabalhadores também argumentam que essa tecnologia pode provocar o desestímulo de grandes empresas a investir na logística reversa.

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