#VAITERTEXTÃO VAGAS DE UTI EM CURITIBA: PRECISAMOS ENTENDER ESTE CÁLCULO!

Hoje, meu textão vai ser um pouco diferente. Além das letras e palavras, eu trago números. E os números são para tentar entender como a Prefeitura chegou aos 1088 leitos de UTI em Curitiba, divulgados na quinta-feira. Este foi o tema mais polêmico nesta semana em que nosso sistema de saúde parece caminhar para o colapso.

Primeiro, precisamos lembrar que destes 1088 leitos, apenas 656 são do SUS. E destes 656, somente 223 são destinados a pacientes com o coronavírus. Segundo a Prefeitura, haveria ainda 374 leitos na rede privada, dos quais 48 para atender à Covid-19. Ou seja, a maior parte dos leitos públicos e privados continuam a atender outras doenças. 

Acontece que nem os leitos para coronavírus, nem os leitos para outras doenças estão livres, como dá a entender o anúncio do Prefeito. Segundo a Secretaria de Saúde, a taxa de ocupação dos 223 leitos para Covid-19 é de 75% e a taxa de ocupação dos demais leitos do SUS é de 64%. Portanto, teríamos apenas 56 leitos livres para atender pacientes com coronavírus e 156 leitos para pacientes em geral. Vale lembrar que Curitiba tem cerca de 2 milhões de habitantes. 

A situação de ocupação no setor privado não é diferente e apesar do número divulgado pela Prefeitura, de que há 48 leitos privados reservados para a Covid, esse dado ainda não consta nas bases do DataSUS (do Ministério da Saúde) e não é contabilizado nos boletins da Secretaria de Saúde. 

É importante dizer, ainda, que os leitos de UTI são divididos em diversas categorias, há leitos adultos, pediátricos, neonatais e para queimados. Há também unidades de cuidados intermediários e unidades de isolamento, estas, porém, não tem a mesma estrutura de uma UTI. 

Pelos dados do DataSUS, percebemos que a Prefeitura somou todos esses leitos sem distinção. Isso é um problema, porque não há garantias de que uma UTI Neonatal possa atender um adulto, da mesma forma como as unidades de cuidados intermediários não comportam ventilação mecânica, necessária nos casos graves da Covid-19.

Por isso tudo, percebemos que o Prefeito tenta passar uma falsa sensação de segurança ao dizer que temos 1088 leitos de UTI, quando na verdade, a maioria já está ocupada e temos, de fato, pouco mais de 200 leitos livres ao todo, e não só para a Covid. Além disso, é preciso considerar que muitos permanecerão atendendo outras doenças. 

Diante das dúvidas que esses números todos trouxeram, minha equipe pediu informações para 24 hospitais de Curitiba. Esperamos obter respostas mais claras sobre a situação real da cidade. 

A pandemia piorou muito em Curitiba e precisamos de total transparência nas informações. Em um momento em que está sendo difícil convencer as pessoas a manterem o isolamento social, construir uma narrativa de falsa segurança piora ainda mais a situação.

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