Vereadora Maria Leticia Fagundes responde ataques machistas

Após sofrer diversos ataques via redes sociais e outros sites da internet, por pessoas que não concordam com um projeto que foi proposto por mim na câmara de vereadores visando a discussão e a conscientização de todos quanto ao assédio sexual (Independente do Gênero – homem ou mulher), o repórter da Gazeta do Povo, Rogério Galindo, publicou em seu blog os comentários e todo o tipo de agressão pessoal manifestadas por internautas que extrapolaram qualquer limite do aceitável.

O fato de alguém ter uma opinião contrária e não concordar com projetos propostos, não lhes dá o direito de atingir a honra, a imagem pessoal ou fazer comentários grosseiros e de cunho sexista. Alerto que toda ofensa pessoal proferida a minha pessoa poderá ser passível de indenização por dano moral.

Pessoas que sequer leram a proposta fazem comentários absurdos sem qualquer argumento plausível preferindo se referir a minha imagem pessoal de maneira desrespeitosa e pejorativa. Não conhecem a minha trajetória profissional e minha luta contra a violência sofrida pela mulher, em 22 anos atendendo como médica legista no IML do Paraná, onde convivo com a violência sofrida por mulheres, que infelizmente resultam em estupro, mutilações e mortes. Muito dessa violência (Que não é só física, mas moral) começa com gracinhas e ataques verbais de gente que ainda vê o ser humano e em especial a mulher um objeto, e que se acha no direito de molestar quem quer que seja, com palavras, atos e agressões.

Meu papel como vereadora e a minha luta histórica em defesa das mulheres contra a violência, é trazer à baila este assunto extremamente incômodo e carregado de tabus e culturas machistas enraizadas ao longo do tempo. A proposta foi feita justamente para isso, independente de ser ou não constitucional, de ser aprovada ou não, o assunto foi exposto e está escancarando pensamentos e posições viscerais, que por si só justificam a discussão do tema.
 
O blogueiro hoje, publicou minha resposta e acabou de alguma forma se justificando e se retratando ao afirmar que sempre defendeu os direitos das minorias, e muito especialmente o feminismo. Porém, quando se trata de mulheres, verifica-se que não estamos falando em minoria, pois, segundo o IBGE, as mulheres representam 51,5% da população no País. Assim, não há que se falar em minoria quando se verifica que no Brasil, existem 5,8 milhões de mulheres a mais do que homens.

Se o feminismo a que o blogueiro se refere diz respeito ao aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade, em igualdade de condições e para que a mesma tenha o direito de andar nas ruas sem ser molestada sim, eu sou feminista.

Sei que a missão a que me propus não é fácil, pois serei incompreendida por muitos e alvo de críticas diversas e cruéis, mas não me calarei nunca diante das injustiças e continuarei lutando contra esta chaga que é a violência que a mulher sofre diariamente, avalizada por uma cultura machista e retrógada. Conforme exposto na justificativa da proposta, um povo não age conforme a lei, um povo age conforme a sua cultura e a cultura pode e deve ser mudada conforme os costumes e a evolução da sociedade e não é admissível que em pleno século XXI, as mulheres ainda sejam tratadas como objeto e pior, com a conivência e omissão da sociedade e do poder público.

Leia a coluna Caixa Zero com meu direito de resposta:

"A vereadora Maria Letícia Fagundes (PV) enviou nesta quarta-feira uma carta ao blog em que afirma que um texto publicado no mesmo dia é machista e tendencioso, e que tentaria ridicularizar o projeto apresentado por ela para multar quem assediar mulheres nas ruas da cidade. Leia o texto da vereadora:

Tenho 32 anos de medicina, 22 anos no atendimento de vítimas de abuso sexual no Instituto Médico Legal (IML), em especial mulheres e crianças, e me elegi vereadora com essa plataforma. O meu mandato é a continuação da minha carreira como médica legista. Sou leitora da Gazeta do Povo, tradicional jornal da capital paranaense e na tarde desta quarta-feira (25) fui surpreendida com a opinião do jornalista Rogerio Galindo, que assina o blog Caixa Zero, com um post intitulado Vereadora que propôs multa por assedio é chamada de ‘feia, frustrada e tribufu’ na internet, que curiosamente foi alterado minutos depois para ‘Machistas atacam vereadora que propôs multa por assédio’.

Um formador de opinião que escreve em um dos blogs mais lidos no cenário político curitibano se posicionou de maneira tendenciosa e machista. Me chamou atenção logo nos primeiros parágrafos a crítica negativa questionando detalhes, para os quais temos todas as soluções.

Estranhamente não fui procurada em nenhum momento pelo referido jornalista, nem por telefone, e-mail, rede social, considerando que trabalhamos em locais bem próximos. Atendi todos os veículos de comunicação que me solicitaram. Conversei com jornalistas das principais redações de Curitiba, assim como de Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Mas não precisa ir longe para entender melhor a proposta, ontem mesmo foi publicada uma matéria feita pelo jornalista Felippe Anibal, (Projeto prevê multa para quem assediar qualquer pessoa em Curitiba), na própria Gazeta do Povo, que explicou claramente as condições do projeto de lei  005.00046.2017, ou seja, teve entendimento e não pré-julgou.

Ficou evidente a intenção de ridicularizar a iniciativa, parece que o Galindo nem leu o conteúdo que está disponível da íntegra no meu site www.vereadoramarialeticiafagundes.com e no site da Câmara Municipal de Curitiba. Infelizmente o blogueiro se fundamentou nas discussões feitas nas redes sociais que dão voz aos apedeutas. E pior, ele selecionou somente os comentários negativos, mas e os positivos de apoio ao projeto? Peço que quando o respeitável jornalista se manifestar, tenha entendimento da grandeza do jornal que ele representa. É importante a reflexão sobre o machismo e que há mulheres como eu na Câmara Municipal de Curitiba que não se intimidam e se preocupam com a causa. Com toda essa repercussão, tenho mais certeza do que nunca da necessidade de leis que coíbam o assédio às mulheres.

Para finalizar, repito a pergunta formulada pelo jornalista Rogerio Galindo: Onde este mundo vai parar?

Vereadora Maria Leticia Fagundes

Resposta do blog

O texto publicado nesta quinta, embora questionasse alguns aspectos do projeto, jamais tentou ridicularizar a vereadora ou sua proposta – muito pelo contrário, a ideia era questionar e ridicularizar os comentaristas que, nas redes sociais, usaram argumentos vazios e violentíssimos contra a proposta.

Trata-se de uma espécie de tradição no blog, mostrar a radicalização de comentários, principalmente nas redes sociais, que dão uma ideia de como o debate fica vazio e marcado por preconceitos, em muitas ocasiões. Por exemplo, o blog fez isso quando curitibanos questionaram a migração de haitianos para a cidade e quando houve críticas ao sistema de cotas da UFPR.

A vereadora, no meio da tarde, ligou para o blog questionando o texto. Embora achasse, e continue achando, que o post fosse claro o suficiente, mudei o título e reforcei ainda mais o que era o ponto principal desde o começo: a radicalização dos comentários machistas contra a vereadora.

Como nunca foi a ideia ridicularizar uma ideia que, no fundo é bem intencionada e que ataca um problema real, a decisão foi por publicar a resposta da vereadora na íntegra, como vai acima, e deixar clara a motivação do texto.

Este blog, como fica claro para quem o segue, sempre defende, de maneira consistente, os direitos das minorias e, muito especialmente, o feminismo. A vereadora não tem obrigação de saber disso nem de concordar com o blog. E embora obviamente o que aconteceu seja um ruído de comunicação dá-se o direito de resposta a ela."

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